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Como vive este pessoal de M&A?

No dia 23 de julho, tive a oportunidade de ouvir mais um excelente quadro produzido pelo renomado humorista Felipe Xavier, autor da personagem Sandra, uma personagem do quadro “Meu nome é Sandra”, conhecida de milhões de ouvintes brasileiros da rádio patrocinadora do programa “Dr. Pimpolho”, e, que é casada com o milionário Rô. Sandra tem o hábito de contar histórias divertidíssimas de sua vida com o Rô. A última foi “O Rô vendeu a empresa!”.  No quadro, a Sandra literalmente mostra que passou a entender tudo sobre M&A. Ela descreve várias situações sobre todos os detalhes, sobes-e-desces de um processo de M&A. Eu realmente chorei de tanto rir e me faz crer que o Rô poderia ter sido o meu cliente. A história é tão real que literalmente me senti ouvindo a esposa de um cliente que deve acompanhar diariamente quando seu marido chega em casa e, apesar do NDA (Termo de Confidencialidade, sigla em inglês), conta ao menos para a esposa dele. São tantas emoções e explosões que realmente os clientes precisam desabafar.
Conheça a história, por Felipe Xavier:


 
Em um determinado momento do quadro a Sandra lança a pergunta que me tocou: “Como vive este pessoal de M&A?”. Como eu sou este “pessoal” de M&A, me perguntei… e aí Denis, que resposta você daria para a esposa do seu cliente Rô?
Minha resposta tem algumas partes e vou tentar ser o mais claro possível. Então vamos lá:
Sandra, vivemos numa montanha-russa, num trem-fantasma, num brinquedo de 3 dimensões, numa pista de corrida, num carrossel, num tiro-ao-alvo, numa selva, num zoológico, enfim, como se fosse um imenso parque de diversões cheio de atrações. E vou explicar cada um deles:
Por que montanha-russa? Porque é um sobe-e-desce de emoções. Hoje a negociação está bem, amanhã ela despenca como se fosse a primeira queda da montanha. Daí, vem a próxima queda, sobe de novo, cai, etc… sabe aquele ponto da montanha-russa em que você se pergunta: o que estou fazendo aqui? Será que acabou? E daí começa tudo de novo e aí vem o plano e você chega… tudo bem e morre de rir ao final.
Por que um trem-fantasma? Uma transação guarda uma série de surpresas positivas e também negativas, vindas da auditoria, da negociação de contratos, dos dias finais, ou seja, lembra a trajetória do trem-fantasma em que você toma um susto a cada curva e onde também não vê a hora que tudo aquilo acabe.
Por que um brinquedo de 3 dimensões? Porque muitas vezes, o surreal vem para o processo de M&A. Quantas vezes em minha experiência de quase 22 anos, já me vi proferindo esta frase: isto é surreal! Parece realidade virtual, mundo paralelo, enfim, inacreditável.
Por que uma pista de corrida? Costumo dizer aos meus clientes que durante o processo vamos enfrentar óleo na pista, ou seja, pilotaremos a transação e alguém jogará óleo em nossa pista, nos forçando a derrapar e sairmos do circuito. Isto é muito comum, pois uma transação sempre enfrenta oposições, inimigos ocultos, detratores, interessados conflitantes, enfim, resistência tácita ou declarada… o óleo na pista.
Por que o carrossel? Há momentos suaves, tranquilos, em que você fica se movendo em círculos e acha que a vida é tranquila, bela, e daí… o trem-fantasma chega.
Por que num tiro-ao-alvo? Porque efetivamente em vários momentos precisamos calibrar a mira e focar em pontos relevantes e acertar na mosca.
Por que numa selva? Há transações em que você precisa ir armado, colocar a faixa do Rambo, passar o carvão no rosto, faca na cintura e ir para a guerra como se fosse enfrentar inimigos desconhecidos como aqueles monstros que nosso amigo Rambo (vivido por Sylvester Stallone), enfrentou na primeira versão do filme, que tanto sucesso fez em minha adolescência.
Finalmente Sandra, por que um zoológico? Para mim, nós, seres humanos, somos uma grande fauna, há seres humanos “de todas as espécies”, de todos os tipos: o manso, o observador, aquele que cheira, o que faz graça, o alto, o que rasteja, exatamente, como no zoológico… em cada ser uma nova emoção e uma nova mensagem.
Você pode até nos achar loucos. Afinal, como podemos gostar de tanta pressão, emoções, vai e vem etc? Daí paro para pensar e vejo que ser um profissional de M&A requer que gostemos de gente para que possamos aceitar todas as emoções, diferenças, posturas, comportamentos, atitudes, enfim, muitas características humanas complexas para construirmos uma transação que nunca se assemelha à outra e sempre com novas pessoas e pessoas diferentes. Daí vejo que é este grau de complexidade de relações humanas que realmente me fascina, me faz exercer a criatividade e me faz chegar na Fortezza Partners diariamente e não ter hora para sair. Sandra, consegui te mostrar como nós vivemos?
Enfim, este quadro do Felipe me trouxe muitas outras reflexões sobre o processo de M&A que o Rô enfrentou. Vamos falar mais sobre estes assuntos em novas conversas da Fortezza com seu público.
Voltando à pergunta inicial, “Como vive este pessoal de M&A?” Vive com muita emoção!
Até breve!
 

Denis Salvador Morante
Senior Partner – Fortezza

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