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Os últimos 5 anos do mercado de M&A no Brasil



 

Os últimos 5 anos do mercado de M&A no Brasil

No mercado de Fusões e Aquisições, é sempre construtivo olhar no retrovisor para, a partir daí, tentar antever como o mercado de M&A deve se comportar daqui para frente. E nem precisa ir muito longe para perceber o quanto o ambiente de negócios do país se desenvolveu. Pegamos como exemplo os últimos cinco anos. Em 2018, ano de inauguração da Fortezza, o mercado de M&A estava caminhando bem. Na época, houve um crescimento em volume de operações da ordem de 16,5%. Já quanto a quantidade de transações, chegou a 967[1]. Foi o primeiro ano em que o mercado nacional ultrapassou a cifra de 900 transações, sendo que os cinco anos anteriores (2013-2017) registraram uma média de 791[2] transações. Por isso, não há que se negar que foi um ano de significativo crescimento e mudança de patamar da quantidade de negócios registrados no Brasil.

O ano de 2019 surpreendeu novamente. Foram 1.231[3] negócios registrados no país. Ou seja, o Brasil se mostrava um país com pujança em termos de transações. Quando 2020 se iniciou, a perspectiva era de que haveria a quebra do recorde anterior — uma vez que a economia se mostrava bastante aquecida, além do mercado de abertura de capital de empresas em Bolsa apontando para dezenas de operações. Porém, como todos sabemos, nos aproximávamos da pandemia do Covid-19 que se instalou de forma definitiva no Brasil na metade de março do mesmo ano.

Como sempre digo, o mercado de M&A realmente estaciona quando a visibilidade some. E esse momento foi um deles. Ninguém sabia o que estava por vir. Muitos achavam que a fase difícil seria curta, outros previam que seria longa. Enfim, houve uma brecada generalizada em operações de M&A. Contudo, de repente, a partir de agosto de 2020, as operações retornaram com estranha pujança e isso fez com que — apesar de um primeiro semestre catastrófico para a humanidade, o que resultou em parada geral das operações —, o ano de 2020 não registrasse significativa queda em transações, pelo fato do segundo semestre ter mais do que compensado as perdas dos seis primeiros meses do ano. O Brasil apresentou 1.117 transações[4] naquele ano. Ou seja, uma leve queda de apenas 9,25% para um ano que registrou reduções significativas do PIB mundial e de cada economia, separadamente, ao redor do mundo.

Quando 2021 se iniciou, parecia que novamente algo surpreendentemente positivo estava por vir, pois a força que o mercado demonstrava, aliado às dezenas de aberturas de capital que estavam ocorrendo no país naquele momento, era algo absolutamente animador. Ao final daquele ano, a surpresa positiva se concretizou e 2021 foi novamente um ano de quebra de recordes e fixação de um novo patamar: 1.963[5] transações realizadas no Brasil. Obviamente, muito daquele número carregava transações postergadas de 2020 (que ocorreram em 2021) e, além disto, um fator inesperado: o quanto a Covid-19 adiantou e impulsionou o desenvolvimento tecnológico de empresas incumbentes e novas empresas. Isso trouxe muitas transações para o mercado naquele ano. Esse efeito, inclusive, foi notado mundialmente, não tendo sido algo específico do Brasil.

Bem, 2022 poderia ser um ano de tanto volume quanto 2021. Porém, pressões inflacionárias, resultantes principalmente da excessiva oferta de ajuda dos governos às suas populações e dos desajustes de diversas cadeias produtivas, com consequente aumento de juros, começaram a turvar as perspectivas. Como se não bastasse, Vladimir Putin, presidente da Rússia, decide invadir a Ucrânia, em 24 de fevereiro de 2022, trazendo uma série de impactos econômicos à Europa e ao mundo, com interrupção de cadeias produtivas e outros impactos. Portanto, 2022 começou a mostrar alguma dificuldade. O aumento generalizado de juros já havia secado as aberturas de capital ao final de 2021 e nada mudou em 2022. Ainda assim, o ano passado não foi um “desastre”. Em suma, foram 1.728[6] transações, um decréscimo de 12% com relação a 2021.

Sem dúvida, há que se notar, de forma otimista, que apesar de tantas questões mundiais de natureza macroeconômica, o Brasil, de fato, mudou de patamar nestes últimos anos: saltou de uma média (2013-2017) de 791 transações para 1.401 transações no intervalo seguinte (2018-2022), aumento de 77%. Quantos mercados, segmentos e empresas apresentaram tamanho crescimento em dois períodos subsequentes de observação? É realmente algo extraordinário. Caso me perguntem ao que atribuo tamanha mudança, apontaria alguns fatores: (1) maturidade do empresariado brasileiro para a consolidação; (2) ativa participação dos fundos de private equity no mercado brasileiro nos últimos anos, comprando e posteriormente vendendo empresas; (3) definitivo estabelecimento da cultura do venture capital no Brasil; (4) evolução das empresas brasileiras com consequente busca por sucessão e profissionalização; e (5) amadurecimento da economia brasileira e da segurança para investimentos de uma maneira geral.

Quando se olha para 2023, o início foi um pouco desanimador com uma queda de 32,7% no primeiro trimestre do ano. Os principais fatores para esse decréscimo foram econômicos, e no caso do Brasil, também políticos com o início de um novo governo. Porém, apesar desse começo difícil, provavelmente 2023 ainda deve ser um ano em que o patamar brasileiro de operações será alto, uma vez que as perspectivas estão melhorando e, há o segundo semestre inteiro pela frente. Quem sabe algo parecido com o segundo semestre de 2020 não acontece novamente? Há muitas transações caminhando de forma lenta, sendo impactadas negativamente pelo clima macroeconômico, mas existem mudanças positivas no horizonte. Talvez a queda total ano contra ano não seja tão elevada e 2023 fique acima da média do intervalo 2018-2022.

Bem, olhando em retrospectiva, foram realmente cinco excelentes anos. Sempre acreditamos que a evolução do mercado viria, como tem vindo. Tenho convicção de que há muito por vir em termos de crescimento do mercado e da atividade de assessoria para os próximos anos. Façamos um balanço novo, em 2028.

[1] Fonte: KPMG
[2] Fonte: KPMG
[3] Fonte: KPMG
[4] Fonte: KPMG
[5] Fonte: KPMG
[6] Fonte: KPMG




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