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Possível deal entre Petz (PETZ3) e Cobasi acende discussão sobre sinergia



 

Possível deal entre Petz (PETZ3) e Cobasi acende discussão sobre sinergia

Especulações recentes em torno da possível fusão entre as gigantes do varejo pet, Petz (BVMF:PETZ3) e Cobasi, trouxeram à tona os méritos e considerações desta eventual transação, como a criação de um player com liderança absoluta no setor, ganhos de sinergia e redução da pressão de preços. Uma das características que chamam a atenção logo de cara é o fato de se tratar de uma negociação entre concorrentes diretos de mercado, a Petz e a Cobasi lideram o segmento e disputam espaço e a atenção dos consumidores nos grandes centros. Apesar disso a possibilidade de fusão não é fora da curva, em outros setores movimentos parecidos foram concluídos com sucesso para os dois lados e resultou em grandes potências mercadológicas.  

É claro que a primeira coisa que vem em mente quando falamos em M&A entre concorrentes é o ganho de sinergias, dentre eles, maior poder de barganha com fornecedores e sinergias operacionais e de backoffice. Ao mesmo tempo, analisando pelo viés do top line, a criação de um player dominante em determinado segmento reduz as pressões da competição, como a guerra de preços, o que favorece o “reequilíbrio” das margens da Companhia. Isto porque em mercados altamente competitivos, as empresas podem se encontrar em uma corrida destrutiva por participação de mercado e lucros. 

Como todo M&A, a análise do nível de complementariedade entre as empresas é um fator determinante. Complementariedades geográficas e de portfólio, por exemplo, foram grandes motivadores de transações como Hapvida (BVMF:HAPV3) e NotreDame Intermédica (BVMF:GNDI3), ou até mesmo Fleury (BVMF:FLRY3) e Hermes Pardini (BVMF:PARD3). A junção de forças também desempenha um papel significativo. Empresas concorrentes muitas vezes têm conjuntos de habilidades e recursos complementares e, ao unir essas forças, elas podem criar uma entidade mais completa e capaz de atender às necessidades dos clientes de forma mais abrangente. No caso da Petz e Cobasi, o mercado identifica a Cobasi como a empresa que possui melhor atendimento em loja, enquanto a Petz é conhecida por investir mais em tecnologia. 

Apesar de parecer óbvio, a união de forças nem sempre faz sentido. Na teoria, o casamento de duas operações concorrentes é imbatível, mas na prática pode ser mais desafiadora. Questões como governança, a cultura empresarial, gestão e overlap de operações, principalmente no caso de transações no setor de varejo como essa, são muito relevantes e devem ser analisadas com cautela. A integração de culturas organizacionais diferentes pode ser um desafio substancial. As empresas concorrentes podem ter abordagens distintas para gestão, processos e valores corporativos. A má gestão desse aspecto pode levar a conflitos internos e dificuldades na obtenção dos benefícios esperados da união. A fusão de concorrentes também traz a preocupação de perder a identidade única no mercado, as marcas individuais podem se diluir ou desaparecer completamente e afetar a percepção dos clientes e a lealdade à marca. 

Um exemplo de sucesso na fusão de concorrentes aconteceu no setor de varejo farmacêutico, com o acordo entre Droga Raia e Drogasil. A transação, concluída em 2011, levou à formação do Grupo RD (BVMF:RADL3), a maior rede de farmácias do país. A união dessas duas empresas emblemáticas ocorreu mantendo a dualidade da marca em muitas localidades, em vez de fundi-las em uma única marca, o que preservou a identificação e a fidelidade dos consumidores que ambas cultivaram ao longo dos anos. O sucesso pós-fusão foi notável, com o Grupo RD continuando a expandir sua presença e se consolidando como líder no segmento de farmácias. 

Agora o mercado aguarda para conferir se Petz e Cobasi avançam do campo da conversa para a negociação de fato. A seca dos IPOs já leva dois anos e pode motivar mais conversas como esta, para destravar valor e permitir saída para alguns investidores. 

É esperado que a nova janela de abertura de capital, seja no final de 2023 ou no início de 2024, traga inicialmente os IPOs de grande porte em operações de negócios mais consolidados. Este cenário reflete uma realidade no mercado financeiro brasileiro: ainda carecemos de maturidade para impulsionar a bolsa de valores com empresas de menor porte. Dentro deste contexto, a fusão de empresas concorrentes muitas vezes é uma estratégia adotada para acelerar planos de acesso a bolsa de valores.  

 

(O artigo também foi publicado no site do Investing Brasil).

 

Priscila Cardanha Rosas
Partner – Fortezza
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